Aventuras com o Emacs: recuperando arquivos

Dia 6 de agosto, em algum momento próximo a 20:00, o meu editor de textos está aberto. Há rascunhos de ideias que eu havia anotado ao longo do dia. Uso o ambiente/shell Enlightenment para prover alguma interface gráfica para o meu sistema Linux, ambiente que já falhou várias vezes comigo. Não foi diferente dessa vez, o Enlightenment parou, não estava me servindo mais. Mas eu quero meus arquivos de volta, assim começa a história de como perdi algumas horas de minha vida. “Eu quero” é o que basta para fazer isso acontecer.

Primeiro passo, eu utilizo a interface não-gráfica do Linux, um tty diferente. Eu não posso usar a interface gráfica agora, logo vou ter que me acostumar a usar muitos aplicativos simultaneamente (usar o navegador web via TUI enquanto leio o manual de como usá-lo no lado direito, etc). Eu conhecia o tmux, mas não estava habituado a usá-lo, e isso mudou. Passei algumas horas me acostumando a usar o tmux enquanto usava os outros aplicativos. Usei o gdb para interromper o fluxo normal de execução do Enlightenment aberto e chamar a função ecore_app_restart, dica que havia aprendido na lista de email do Enlightenment.

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Eu estava perdendo o preconceito de controlar o posicionamento das “janelas” utilizando apenas o teclado. Entretanto, a dica do gdb para reiniciar o Enlightenment, que já me ajudou no passado algumas vezes, dessa vez não teve efeito.

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Já são 2:00 no dia seguinte e eu ainda estou pesquisando, na internet, algo que pudesse me ajudar. O Emacs estava aberto e na memória RAM do computador eu poderia recuperar o que eu havia digitado. Foi então que, lendo um arquivo que dava instruções de como depurar o Emacs, eu percebo a informação que vai me ajudar.

Mais uns vinte minutos e eu já tinha salvo o estado de execução no qual o Emacs se encontrava, o core dump file. Hora de voltar a ser produtivo, voltarei a esse problema outro dia.

20 de agosto

O dia que eu retorno ao problema. Passei dias demais sem atualizar meu sistema com receio de distanciá-lo demais do ambiente no qual o Emacs estava funcionando. Hora de ler novamente as instruções do arquivo DEBUG que encontrei no repositório do Emacs. Sigo as instruções e não funciona, meu binário não possui os símbolos de depuração. Considerando a possibilidade de que não fosse funcionar, re-gero o binário do Emacs de forma que os símbolos de depuração fossem salvos no sistema de arquivos.

Hora da verdade. Tento novamente e vejo o esperado warning:

warning: core file may not match specified executable file.

Prossigo de qualquer forma, e, para minha satisfação, recupero as informações que eu queria.

shot-2016-08-20_06-44-01

Trabalho feito, hora de atualizar o sistema. Acho que se fosse no Windows, eu não teria nenhuma chance. De qualquer forma, acho que está na hora de encontrar um substituto para o Enlightenment.

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3 responses to “Aventuras com o Emacs: recuperando arquivos”

  1. @_Kikuto says :

    Nossa, que aventura! Se eu estive na sua situação eu teria feito as buscas na web ou pelo celular ou pelo tablet, não iria pensar em usar um navegador via TUI. O importante é ter conseguindo🙂

    Desse tipo de aventura, sempre vale a experiência. Já passei por situação parecidas e já teve vezes que não consegui recuperar os meus arquivos. Felizmente depois que passei a usar o Sublime não tive mais esse problema porque ele salva os arquivos numa pasta temporária a cada modificação, então mesmo que a interface gráfica do sistema trave, ou o próprio programa trave, ao reiniciar tudo vai estar lá mesmo que você não tenha salvo.

    • Vinipsmaker says :

      Desse tipo de aventura, sempre vale a experiência.

      Verdade.

      [Sublime] salva os arquivos numa pasta temporária a cada modificação, então mesmo que a interface gráfica do sistema trave, ou o próprio programa trave, ao reiniciar tudo vai estar lá mesmo que você não tenha salvo

      O Emacs também salva, desde que o arquivo exista. Como eu estava editando o buffer de rascunho, ele não salva.

      Isso só mostra o quão importante é respeitar os dados dos usuários. Todo editor acaba ganhando essa funcionalidade eventualmente, pois é muito importante não perder os dados do usuário.

  2. random someone says :

    Vem pro gnome porra \,,/

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