Escolher se aprisionar é uma escolha?

Existe essa discussão (filosófica?) em comunidades de software livre sobre o caso de você escolher abrir mão de liberdade ser uma escolha ou não, e, assim, tentar ridicularizar todo o argumento de liberdade por trás desse movimento, pois, segundo essa lógica, todo software era livre. Eu nunca me interessei por tais discussões, pois quando eram feitas por trolls, eu não me irritava, nem perdia tempo tentando responder. Quando eram feitas genuinamente pela busca de um exercício de filosofia, nenhum argumento que despertasse o meu interesse era apresentado, e eu também não me envolvia em tais discussões. Recentemente, ao acaso, acabei pensando em algo que me fez enxergar o problema de outra forma e ter interesse na resposta (ou no debate).

A forma como eu achei uma forma de tornar essa discussão mais interessante foi misturando uma outra discussão que por si só já é bem grande, a discussão de identidade. Quando você sofre uma experiência, você muda. A questão é se essa mudança que aconteceu é grande o suficiente para considerar que você é uma pessoa diferente. A forma como eu relaciono esses dois debates são através da possibilidade de mudar de ideia.

Um exemplo para tal relação foi a situação que ocorreu com Frank Sinatra, que, segundo o podcast que escutei, fez um acordo com um cara para fazer parte da banda dele, e, segundo as regras do contrato, ele não poderia abandonar a banda, e, se o fizesse, deveria pagar 33% de todo o dinheiro que ele ganhasse durante o resto de sua vida como multa. Ele acabou mudando de ideia e largou a banda. A questão é, esse Frank Sinatra que assinou o contrato era o mesmo que saiu da banda? Se eles são pessoas diferentes, então o Frank do futuro teve sua liberdade reduzida por uma decisão do Frank do passado.

O exemplo anterior pode ter parecido um pouco absurdo, mas é bem válido que instituições criminosas usem de ameaças para lhe forçar a assinar esse tipo de contrato. E se você não pode anular o contrato provando (isso quando existe a possibilidade de você conseguir provar) que você só o assinou por conta de uma ameaça, você efetivamente teve sua liberdade reduzida e “escolher se aprisionar” nunca foi uma escolha.

Para desvirtuar a discussão ainda mais tentando fazer relação com temas distantes, você pode fazer analogia do comportamento que acabei de descrever com a sociedade que você ajuda a construir e entrega para seus filhos. Se eles nascem em um lugar onde a liberdade foi tirada, então quer dizer que em momento nenhum houve uma perda de liberdade, pois na verdade seus pais que “escolheram” abrir mão da liberdade?

Bom, é isso, não conclui nada, mas não seria assim que discussões filosóficas acontecem, onde a discussão é mais importante que a resposta?

Tags:

2 responses to “Escolher se aprisionar é uma escolha?”

  1. @_Kikuto says :

    Não entendi bem o ponto. Como você consegue relacionar isso ao software livre?

    • Vinipsmaker says :

      A relação principal é na palavra liberdade. Várias vezes usam o “argumento liberdade de escolha” para escolher software proprietário. É meio que uma forma de dizer “eu sou livre usando software proprietário”, toda essa cultura de “software livre fundamentalmente não faz sentido”.

      Meu texto foi mais relações a isso, liberdade de escolha, e tentar fazer relações a “escolher se aprisionar”. Mas não tenho muito para acrescentar nessa discussão. Postei o texto com um ou outro exemplo diferente na esperança de alimentar mais a discussão e de repente ver alguns comentários interessantes.

Comentários (with MarkDown support)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: