Tenha um ponto a apresentar, não seja um macaco

Na computação não é incomum o desprezo a coisas primitivas. Primitivos, primatas, macacos… Assim, uma forma de ofender, no meio da computação, é usar a palavra macaco. E quase nunca é uma ofensa de verdade, apenas uma brincadeira. No YouTube, por exemplo, quando o site falha, uma mensagem de “uma equipe de macacos treinados está cuidando do problema” é apresentada. Pois bem, parece que está começando a ganhar popularidade esse jeito de “argumentar” onde você imita um macaco, faz as pessoas rirem, e ganha o debate. Eu tenho uma mensagem que eu gostaria de deixar por aqui.

A mensagem que eu quero deixar é que se você tentar conversar comigo usando essa forma de comunicação de macaco, eu vou ficar irritado. Se seu objetivo for me irritar, parabéns, você conseguirá. E o motivo que me irrita é que eu não quero interagir com macacos, pois eu não tenho empatia nenhuma com estupidez. Agora, o resto desse pequeno texto é dedicado a explicar o que seria “se comunicar como macaco”.

Eu vi recentemente esse vídeo do Maurício Saldanha e fiquei surpreso com a forma de comunicação primitiva dele. Eu fiquei profundamente intrigado, me perguntando se ele achava que estava sendo legal, ou se ele realmente tinha a limitação de se “comunicar” daquela forma. Vejam por vocês mesmos:

Agora, preste atenção no instante 14:47, que merda é essa?! Você pode me explicar? Eu acho difícil de acreditar que um macaco desse está ficando popular. E a razão é que eu fico frustrado. Estou publicamente admitindo que fico frustrado (caso você queira chamar de “recalque”). E o motivo da frustração é que enfrento situações onde as pessoas destacam minha baixa capacidade comunicativa, mas o motivo de eu sofrer dessa baixa capacidade comunicativa é que, (1) ou eu não tenho nada a falar (ou sequer sei o quê falar), (2) ou eu estou tentando comunicar uma ideia mais complexa, nem que seja complexa somente para mim (diferente desse macaco primitivo do Maurício Saldanha).

Olhem de novo esse vídeo! Que merda se passa na cabeça desse macaco? Eu fico puto com esse comportamento ser realizado por alguém da mesma espécie que eu, e que, para tornar as coisas melhores, faz parte da mesma cultura na qual estou inserido (a cultura brasileira). Isso me deixa profundamente frustrado. Se você estiver tentando entender o quanto eu fico irritado (ou “cheio de recalque”, a depender do ponto de vista), imagine o Felipe Neto encenando aqueles vídeos dele lá.

Agora, atuação, e não essa merda incompreensível do Maurício Saldanha, é uma arte, é belo, é algo a se apreciar. Recentemente me deparei com um vídeo do Jim Carrey e grande parte da mensagem que ele estava comunicando, uma parte crucial para o efeito que ela tinha, eram esses “gestos de macacos”. O vídeo era o Unnatural Act:

Agora, a diferença que torna o Maurício Saldanha um babaca estúpido macaco primitivo incompreensível (note como a internet permeia o ódio e me faz xingar um estranho aleatório que nem conheço) e o Jim Carrey um gênio ao fazer “a mesma coisa” é bem simples, então guarde bem com você: o Jim Carrey tem um ponto, não depende só de expressões baratas inseridas aleatoriamente para tentar ridicularizar o ser de opinião contrária.

E para terminar, quero deixar uma dica aqui. Se você estiver precisando de um refrão para uma música punk, usa o refrão “macacos! primatas! primitivos!”. Eu vou ficar contente só com uma menção da ideia original e tal. E também vou escutar a música toda vez que precisar amenizar o ódio que essa comunicação de macaco a qual sou exposto causa em mim.

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