Eu não confio no seu julgamento se você não critica sua linguagem de programação

A lógica por trás de tal filosofia é bem simples. Se sua linguagem de programação não possui defeitos, então não há nada para mudar nela, pois ela é perfeita, exatamente como está, imutável, nada precisa mudar. Entretanto, e essa é a parte da argumentação que é menos baseada em consequências lógicas e mais baseada em observações ao meu redor, ainda está para ocorrer o momento em que eu veja um entusiasta de sua linguagem de programação que considere negativo o lançamento de uma nova versão de sua linguagem de programação. Cada uma das mudanças que culminou no lançamento de uma nova versão de sua linguagem de programação era uma carência ou um defeito que existia em sua antiga versão, e os “fãs” só irão reconhecê-lo uma vez que o defeito é corrigido, pois sua linguagem é perfeita, sagrada, livre de questionamentos, um tabu quando se menciona a ideia de defeitos.

Pois bem, eu não acho essa posição de sua parte nenhum pouco honesta, e eu quis fazer esse texto para tentar fazer você refletir um pouco a respeito. Outro motivo é que eu estava há muito tempo sem escrever e esse foi um texto fácil para mim, que fluiu da minha mente para “o papel” encontrando nenhuma barreira ou barreiras imperceptíveis. Eu perdi muito pouco tempo para fazê-lo. É um texto de mera opinião.

A ideia de fazer esse texto me veio após perder bastante tempo para escrever a pauta para um podcast que me convidaram a gravar. O tema do podcast seria a linguagem Rust, e eu, na minha mentalidade de blogueiro que ainda não sabe montar pautas, dediquei 4 páginas da pauta só para elaborar o quão C++ é uma linguagem ruim. Agora você precisa entender que a linguagem C++ foi minha linguagem favorita por 6 anos de tal forma que simplesmente não havia espaço para carinho a outras linguagens de programação, e que eu dediquei muito tempo de minha vida só para entender como eu poderia defender essa linguagem. Hoje em dia, C++ não perdeu meu carinho e ela ainda é minha solução favorita para metade dos problemas que resolvo. Ainda assim, 90% do tempo que dediquei para montar a pauta, foi para criticar C++, e em momento nenhum deixei espaço para que o consumidor daquela pauta/obra pudesse imaginar que eu tenho um apego tão grande por essa linguagem.

Acho que uma boa forma de terminar esse texto é ressaltar que sua linguagem só evolui se você corrigir seus problemas, e isso só vai acontecer uma vez que seus problemas sejam reconhecidos. A “linguagem perfeita” é um termo que só é usado por programadores imaturos, grupo do qual um dia eu também já fiz parte.

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2 responses to “Eu não confio no seu julgamento se você não critica sua linguagem de programação”

  1. @_Kikuto says :

    Nunca parei para pensar a respeito da linguagem que uso. Mas já me peguei condenando algumas delas pela falta de alguma estrutura ou facilidade que existe em outra, como por exemplo os dicionários de python, os data frames de R ou as gambiarras para usar OO em lua. Mas sempre fui muito relaxado para essas coisas e sempre acabei utilizando a linguagem que o ambiente me guiava, como por exemplo, hoje programo em C++, porque o produto em que trabalho é escrito em C++.

    Mas quando vai sair esse podcast? Fiquei curioso🙂

    • Vinipsmaker says :

      Mas quando vai sair esse podcast? Fiquei curioso🙂

      Nem sei, nem terminei a pauta ainda. O cara que convidou disse “sem pressa”.

      E conhecendo a frequência de lançamento dos episódios desse podcast, acho que ainda ia levar algumas semanas entre gravação e publicação.

      Posso fazer um post com o link por aqui uma vez que seja lançado, caso acabe gravando mesmo.

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