Amizade

Primeiro que, para quem esperar algo mais científico ou algo polêmico… vão perder a viagem. Esse aqui é um texto reflexivo que eu vou fazer. “Mas você não costuma fazer texto reflexivo…”, não costumo, mas já não é a primeira vez que faço. Meu blog possui sim alguns textos de mera opinião ou mera reflexão. Se você não está habituado dê uma olhada nos textos que eu tenho no meu blog, que existem outros segmentos, e entre eles aqueles que eu simplesmente dou minha opinião ou faço alguma reflexão para vocês e depois fico lendo comentário, porque eu acho isso legal.

Já há algum tempo que eu noto esse hábito que eu acho que existe das pessoas terem uma necessidade em classificar, e inclusive classificar outras pessoas. “Amizade é uma dessa que dura décadas”, “amigo é aquele que briga pelo outro”, “amigo é aquele que se sacrifica”, “amigo é aquele que tem coragem de dizer quando você está errado”, “amigo é aquele que se coloca no lugar do outro”, “amigo é aquele que já chega dando voadora”. Primeiramente que eu vejo essas definições como uma forma de “disputar por um título” e é um ato maldoso quando você tenta estimular alguém a participar dessa “competição por quem consegue mais poder”. “sangue do meu sangue”, “você é mais que um amigo para mim, você é um irmão” e coisas do tipo entram na mesma categoria para mim, um título desnecessário que deveria ser evitado.

E segundo que eu acho essa classificação desnecessária. “Ah, não vou brincar com fulano porque fulano não é meu amigo”. Ser amigo ou não, se você quer se divertir com fulano, você devia tirar o peso dessa tarefa de classificar de sua vida e assim você poderia aproveitar ela melhor. Eu não consigo pensar em uma situação onde essa classificação é útil para você. Na verdade, enquanto escrevia essa frase me veio a mente a palavra “guerra”, mas taí outra coisa que não é útil de verdade a não ser que você esteja disputando recurso.

Viver sem essa necessidade de classificar, me lembra aquele verso, “que seja infinito enquanto dure”. Se preocupar apenas com o que é importante, e não com as “promessas”, se concentrar no agora.

Pois então, há um amigo (ta-da! eu acabo usando a palavra para não ofender as pessoas) meu que ficava me enchendo o saco porque “eu não sei o que é um amigo”. Depois de pronto, vou mandar o link desse texto para ele. E vez ou outra ele volta com essa história para mim, me pressionando a pensar no assunto em momento esporádicos.

Pois então, se nenhuma experiência havia contribuído para me fazer pensar em “o que é um amigo”, talvez alguns eventos tenham contribuído para me fazer pensar “o que NÃO é um amigo”, e dessa forma me ajudar a classificar.

Há um discurso interessante que menciona esse poder de se descrever uma vez que os opostos são expostos do Alan Watts:

“And they’re always arguing with each other. And what they don’t realize is […] neither one can take his position without the other person because you wouldn’t know what you’re advocating [..]. And that’s the answer to philosophy. You see? I’m a philosopher and I’m not gonna argue very much because if you don’t argue with me I don’t know what I think.”

E a primeira parte da classificação de amizade na qual acabei pensando é de que amigo é aquele que possui o poder de lhe ferir. Ao longo do tempo, eventos acabaram lhe expondo, você possui fraquezas que são conhecidas. Você não tem o poder de ignorar os seus atos, pois ele possui o poder de chamar sua atenção de forma especial. Você se importa com ele, pois essa característica dá mais importância à relação. Pode até ser que você se importante tanto com ele que a forma que ele tenha de lhe machucar seja lhe ignorando. Não há intenções escondidas ou necessidade de negociações. A relação entre vocês é sincera. Ela pode abusar de você de forma que outros não podem. Mas apesar do perigo de manter essa relação que pode acabar em feridas, você permite a presença dela em sua vida, essa sendo a segunda parte da classificação de amizade.

Um detalhe importante dessa forma de pensar é que amizade deve ser encarado como uma decisão (ou “loucura do destino”) e de forma nenhuma você pode encarar amizade como uma dependência. Se há alguém de quem você depende, você não pode chamar essa pessoa de amiga, pois você não tem escolha. Entretanto, se você escolheu depender de alguém, aí é outra história.

Um outro detalhe igualmente importante da “minha classificação”, caso adotada, é que ela exclui de muitas pessoas o direito de chamar de amigo um cachorro. Pois é, tenho preconceitos com pessoas que se envolvem demais com cachorros ou gatos. Para mim começa a ficar errado a partir do momento que você começa a tratar o cachorro como humano e coloca perfume e outras coisas nele. Acho que é a partir desse momento que fica doentio.

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One response to “Amizade”

  1. @_Kikuto says :

    Ótimo texto, já filosofei um pouco a respeito e é bem complicado e polêmico o tema, mas concordo com a sua classificação. Ainda adicionaria um conceito que resume muita coisa, o amigo é aquela pessoa pelo qual você tem afinidade e compartilham algo em comum( um pensamento, uma atividade, um modo de ser ) e para mim essas 2 coisas são os pilares de uma amizade.

    Melhor não criar mais polêmica falando sobre animais de estimação, mas concordo com você, apesar de entender o pessoal que se enquadra na sua descrição.

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