No tópico de Garbage Collector

Você quer que sua linguagem tenha Garbage Collector. Isso é uma mentira.

Você quer que sua linguagem tenha gerenciamento automático de memória. Isso ainda é uma mentira, mas pelo menos é uma mentira menor.

Você quer que sua linguagem tenha gerenciamento automático de recursos, não importando se eles são memória, file descriptors, socket descriptors ou qualquer outro. Isso NÃO é mentira.

Gerenciamento de memória (e outros recursos) seguro, automático, barato, performático e sem Garbage Collector é possível, como a linguagem Rust vem provando. Rust é a linguagem formidável que realmente se preocupa com performance e é capaz até de detectar data race em tempo de compilação.

Problemas de usabilidade com Garbage Collector

Garbage Collectors não possuem semânticas fortes o suficiente para permitir destrutores. O mais próximo que existe são os finalizers, que possuem uma lista bem grande de possíveis problemas.

É justamente devido ao Garbage Collector e aos finalizers que você está tendo mais trabalho, tendo que gerenciar blocos finally após cada tratemento de exceção. Na verdade, eu também não acredito em tratamento de erros usando exceções (leia o link para não entender errado!).

Outros problemas com Garbage Collector

O uso de um Garbage Collector diminui a utilidade do seu programa. Se seu programa possuir requisitos de tempo real, baixa latência, sistemas embarcados, uso eficiente de bateria ou alguns outros relacionados, Garbage Collector se torna indesejável.

Uma crítica inicial a Garbage Collector é que seu programa congela aleatoriamente, prejudicando a responsividade, mas esse problema é até mais prejudicial no caso do programa ter requisitos de tempo real, pois nenhuma garantia de tempo máximo gasto com coleta de lixo é oferecida. Foram então, criados algoritmos de GC que rodam em paralelo e algoritmos incrementais de GC, permitindo o uso de GC nesses cenários, mas outros problemas persistem. Primeiro, que uma solução dessas continua a consumir mais recursos.

Outra crítica a GC é que ele é um consumidor exagerado de recursos. Se o algoritmo é paralelo, você já depende de uma segunda thread. A depender do algoritmo adotado, você já vai precisar do dobro de memória RAM que uma versão do programa sem GC. E o programa estará usando mais memória que o que precisa na maior parte do tempo, então não podemos chamá-lo de “leve”. Tudo isso contribuindo para o mal uso da bateria do dispositivo.

Mais uma crítica ao GC é que, quando ele executa, vai caminhar aleatoriamente na RAM, navegando de ponteiro em ponteiro, poluindo a cache da CPU e impedindo que você crie um programa de baixa latência, onde responsividade é importante (i.e. jogos).

Um tweeteiro aleatório me deixou ciente de um diagrama legal que pode facilmente lhe fazer pensar que talvez “C++ sempre vença no desafio de performance”. Acho tal gráfico relevante para o tema:

Conclusão

Eu não tenho nada para concluir de verdade. Só criei essa seção para ter a oportunidade de usar uma frase: C++ foi minha escola.

EDIT:

É legal ver a cara de “WTF” do Alexandrescu ao escutar o Stephan T. Lavavej falar “I don’t think garbage collection can ever solve it”.

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3 responses to “No tópico de Garbage Collector”

  1. @_Kikuto says :

    Parabéns pelo post.
    Como sempre um material bem explicativo e claro.
    Nunca dei conta dessa problemática, assim como o tratamento de erros por não ter “tempo” de implementar, pois na pesquisa o tempo tem que ser gasto para gerar os resultados.

    Isso acaba levando a um uso limitado da linguagem de programação escolhida, se restringindo apenas ao necessário para se alcança os resultados.

    • Vinipsmaker says :

      Como sempre um material bem explicativo e claro.

      Valeu. Achei que esse ainda não ficou tão legal quanto o texto de crítica a exceções, mas o texto que eu queria postar hoje nem era esse. Porém esse texto é dependência para o texto que eu queria postar hoje.

      Às vezes eu escrevo sobre algum tópico no qual eu tenho mais facilidade de construir observações.

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